Da rotina, do tempo, DA VIDA

 

(Foto: Michelle Ferraz)
(Foto: Michelle Ferraz)

De um lado para o outro, correm eles e elas.

Dormem pouco (ou nem dormem), enfrentam trânsitos caóticos, irritam-se, perdem uma parte da vida que acontece longe do caos.

Ao ver da janela do ônibus aquele mundo de gente andando depressa, caminhando ali pelo centro da cidade, convivendo com esbarrões e expressões de quem não gostou, testas franzidas e xingamentos surdos, tentava (e ainda tento) entender o porquê.

Na caminhada inevitável, os braços balançam frenética e irredutivelmente. Talvez tudo seja parte de um movimento motor involuntário que indique mais que isso: são braços que balançam em direção a uma necessidade inventada de ter. Perna esquerda atrás, braço direito na frente – e vice-versa.

E meu desejo é que a vida não sucumba a todo esse movimento. Que a caminhada repleta de corridas e suores não seja a causa de uma morte que não se vela: a da alma.
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De agosto de 2011.

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